O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, se reuniu nesta segunda-feira (31) com os criadores da série “Adolescência” da Netflix sobre um garoto acusado de matar uma colega. A produção provocou uma discussão nacional sobre o impacto das redes sociais nos adolescentes.
A série em quatro episódios explora como as ideias de influenciadores on-line, como o autodenominado misógino Andrew Tate, podem moldar as opiniões de crianças viciadas em smartphones e levá-las à violência.
Starmer disse que apoia a decisão da Netflix de disponibilizar a série “inovadora” para ser assistida gratuitamente em escolas de todo o país.
“Como pai, assistindo a essa série com meu filho e minha filha adolescentes, posso dizer que ela me tocou com força”, afirmou o premiê britânico em um comunicado após se reunir com o coautor de “Adolescência”, Jack Thorne, instituições de caridade e jovens em seu gabinete em Downing Street.
“Como vejo com meus próprios filhos, é vital falar abertamente sobre as mudanças na forma como eles se comunicam, o conteúdo que estão vendo e explorar as conversas que estão tendo com seus colegas.”
O drama imersivo, cujos episódios foram filmados em uma única tomada contínua, entrou para a história da televisão britânica este mês ao se tornar a primeira série de streaming a chegar ao topo da audiência da TV.
Cerca de 6,5 milhões de pessoas assistiram ao primeiro episódio e 5,9 milhões ao segundo, na semana de 10 a 16 de março, segundo dados do compilador de classificações de TV Barb.
Thorne, que disse que as crianças não deveriam receber smartphones até completarem 14 anos, chamou de crise crescente o impacto da masculinidade tóxica e da chamada “cultura incel”, que pode gerar ódio contra mulheres e meninas.
“Criamos esta série para provocar uma conversa”, declarou o coautor da série em um comunicado.
“Portanto, ter a oportunidade de levar isso para as escolas vai além de nossas expectativas. Esperamos que os professores conversem com os alunos, mas o que realmente esperamos é que os alunos conversem entre si.”